Sismo intenso ao fim da tarde mata centenas de pessoas
Pedro Olavo Simões
Embora muito longe das maiores tragédias sÃsmicas que já afectaram o paÃs, o Peru está em choque, vendo crescer um balanço de vÃtimas que ontem, com os trabalhos de resgate longe de terminados, dava conta de mais de quatro centenas de mortos e cerca de 1500 feridos. O terramoto, ocorrido ao fim da tarde de quarta-feira e de magnitude 7,9, na escala de Richter, afectou especialmente a provÃncia de Ica, mas sentiu-se fortemente em Lima, mais de 250 quilómetros a norte.
Ontem, enquanto as equipas de emergência trabalhavam intensamente, o medo estava longe de estar afastado, atendendo à intensidade das várias réplicas registadas, uma delas de 6,3 graus. Ica, Chincha e Pisco, na região vinhateira do Peru, eram as cidades mais afectadas, e a dimensão do drama ia ganhando contornos cada vez mais negros em Pisco, por exemplo, o presidente da Câmara fez saber que cerca de 200 pessoas estavam sob os escombros de uma igreja onde estava a ser celebrada missa no momento em que a terra tremeu.
De acordo com o Instituto Sismológico do Peru, o epicentro localizou-se no oceano, 169 quilómetros a sudoeste de Lima e 47 quilómetros abaixo do nÃvel do mar. Sendo o Peru um paÃs onde o risco de sismos é elevado, por estar na fronteira de duas placas tectónicas. Não havia um grande sismo desde 1990 (101 mortos) e muitos são os que recordam a grande tragédia de 1970 (66 mil mortos e 600 mil desalojados), que, de algum modo, ajuda os peruanos a relativizar a dimensão das tragédias.
O próprio presidente Alan Garcia, na comunicação que fez ao paÃs directamente do gabinete de crise, agradeceu a Deus que não tenha havido "uma catástrofe com um número imenso de vÃtimas", embora reconhecendo que o paÃs foi "duramente atingido". O Governo declarou o estado de emergência na provÃncia de Ica, desbloqueando desde logo verbas para as acções de emergência. Também a comunidade internacional tenta responder com prontidão à catástrofe, e em muitos paÃses, além das ajudas prometidas de imediato pelos governos, há apelos à solidariedade das populações.
De acordo com os serviços do Ministério dos Negócios Estrangeiros, nada indica que possa haver portugueses entre as vÃtimas. Vivem no Peru perto de duas centenas de cidadãos portugueses, além dos que ali se encontram em visita turÃstica.
"Cintura de fogo" implica um risco quase permanente
O tremor de terra no Peru é mais um efeito da "Cintura de fogo", cadeia vulcânica que atravessa o PacÃfico e está na origem de movimentos sÃsmicos quotidianos. O sistema, muito estudado pelos sismólogos, estende-se da costa ocidental da América do Sul ao Sudeste asiático. É uma cadeia caracterizada por fracturas, zonas de confrontação de placas tectónicas, em constante movimento por acção do calor interno do planeta. O resultado são frequentes erupções ou sismos, na maior parte sem efeitos em terra. Apesar da instabilidade, os especialistas consideram não haver um efeito dominó, com sismos provocando outros.
Hospital de Chincha em risco de desabar
Em Chincha, uma das cidades mais afectadas, a assistência aos feridos estava extremamente dificultada, pois os
danos no edifÃcio do hospital faziam as pessoas temer a
derrocada.
Tragédia de 1970 recordada por todos
O grande sismo de 31 de Maio de 1970, nos Andes, é uma ferida aberta na memória dos peruanos morreram cerca de 66 mil pessoas, em especial devido ao desabamento de terras que praticamente soterrou a cidade de Yungay.
Uma só vÃtima registada na capital
Só uma das vÃtimas mortais conhecidas residia em Lima, onde 76 casas precárias foram destruÃdas e houve um reforço do policiamento. Todos as restantes vÃtimas estavam no Sul .
http://jn.sapo.pt/2007/08/17/mundo/sismo_intenso_fim_tarde_mata_centena.html