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O Goleiro: histórias do atleta que pratica um outro esporte dentro do futebol

O Goleiro: histórias do atleta que pratica um outro esporte dentro do futebol

Marcos Timóteo Rodrigues de SOUSA

Treinador de goleiros da A.A. Flamengo de Guarulhos/SP

marcossousa@hotmail.com

 

A escolha de uma posição em uma equipe de futebol significa assumir responsabilidades. Quando alguém assume a função de goleiro, inúmeras dificuldades devem ser superadas, tais como: os diversos e exaustivos treinamentos, a incompreensão do torcedor diante de uma falha, a necessidade de autodisciplina, o controle emocional e a solidão. Esse integrante, de fundamental importância em uma equipe de futebol, treina diária e intensamente e deve estar preparado para entender as críticas da torcida, bem como ser "rigoroso consigo mesmo, disciplinado em suas ações e atitudes dentro e fora do campo, devendo controlar suas emoções utilizando-as adequadamente, a fim de maximizar o nível de seu desempenho" (Rocha, 2005).

            Segundo Rocha (2005) o goleiro, por excelência, é um atleta diferente de todos, enquanto os outros jogam com os pés, ele é o único que pode utilizar as mãos. Os outros jogadores correm atrás da bola e dos adversários, ele permanece estático, guarnecendo o seu arco. Os demais buscam o gol, objetivo maior do futebol, ele, ao contrário, cuida de evitar, a todo o custo que o objetivo não seja alcançado. Em tempos idos o goleiro tinha em seu favor as balizas de madeira em forma retangular, as quinas ajudavam quando a bola chocava-se na baliza e na maioria das vezes não entrava ao gol. Extraídas as quinas, as novas balizas roliças, ao contrário das antigas, conspiram contra os goleiros. As bolas que eram de couro marrom e mais pesada foram trocadas por uma de cor branca, mais leve e revestida por uma substância impermeável.

Alguns dizem que é a posição mais ingrata no futebol, o velho ditado diz que onde o goleiro pisa nem grama nasce e, uma velha máxima dizia que goleiro bom, só depois dos 30 anos de idade. Há ainda muitas frases, brincadeiras e superstições que cercam este atleta. Na área pequena ou na área de meta ele é intocável, mas, depende da interpretação do árbitro, somente ele pode tocar a bola com as mãos neste esporte. O goleiro pode estar a um passo da glória ou do fracasso. O trabalho psicológico, a experiência e uma boa seqüência de treinamentos fazem deste atleta apto para assumir funções importantes dentro de um clube. Vamos falar nas linhas abaixo um pouco das curiosidades e da história de grandes goleiros do futebol mundial.

            Gilmar dos Santos Neves defendeu a seleção brasileira em 103 jogos, foi bi-campeão mundial e dizia o seguinte: “não estou aqui párea fazer milagres, mas sim, para defender as bolas defensáveis”. Este foi um dos maiores expoentes brasileiro na posição. Valdir Joaquim de Moraes, ex-goleiro da S.E. Palmeiras, na década de 1960 foi o “pai da função de treinador de goleiros”, a partir do ano de 1968. 

            Tomas Ravelli, da seleção sueca, é o recordista mundial de atuações em jogos de seleção, participou de 143 partidas oficiais. Peter Shilton, goleiro que defendeu a meta da seleção inglesa nas copas de 1986 e 1990 encerrou sua carreira aos 47 anos de idade defendendo a equipe do Leyton Oriente, da terceira divisão da Inglaterra, quando já não tinha mais forças para cobrar o tiro de meta. Valer Zenga, atleta da seleção italiana na copa de 1990, é o recordista em copas de ficar sem sofrer gols, ficou 517 minutos, vale lembrar que o goleiro Carlos, da seleção brasileira de 1986, sofreu apenas um gol nesta copa. Sepp Maier, goleiro alemão nas copas de 1974 e 1978, hoje treinador de goleiros do Bayer de Munique, havia ficado 475 minutos sem tomar gols.

            Muitos acreditam que a melhor seleção brasileira foi a de 1982, quem não se lembra de Valdir Peres, goleiro do São Paulo F.C., jogou 30 partidas pela seleção, sofreu apenas uma derrota, justamente a memorável partida contra a Itália no Estádio Sarriá, sofrendo três gols de Paolo Rossi.   

            Em 1972, Tatalo, aos 31 anos de idade, goleiro do Clube Atlético Pirassununga, foi eleito Prefeito da cidade do interior paulista, neste ano sagrou-se campeão da segunda divisão do campeonato paulista. O uso da joelheira, atualmente extinta em jogos oficiais, começou a ser utilizada em fins dos anos 60, Felix Venerando da Silva, tricampeão em 1970, utilizou este material apenas nas primeiras fases da copa de 1970. Athiê Jorge Cury, foi goleiro do Santos F.C. nos anos 20 e 30, foi presidente do Santos durante o período em que Pelé atuou pelo clube. Na década de 1920, o goleiro Tuffy era tão bom, que a Cia Sudan de Cigarros o contratou para percorrer os campos da várzea do Carmo com uma promoção: quem conseguisse marcar um gol de pênalti no Tuffy ganhava 10 maços de cigarro. Tuffy era chamado de satanás, pois, dois dias antes dos jogos não fazia a barba e com seu uniforme preto amedrontava os adversários, foi tricampeão pelo S.C. Corinthians.

            Lev Iashin, o aranha negra, disputou as copas de 1958, 1962 e 1966 pela ex-União Soviética, foi um dos primeiros goleiros a usar as mãos para fazer a reposição de bola. A utilização das luvas se deu em meados da década de 60, no Brasil, o primeiro goleiro a utilizar foi Cláudio da equipe do Santos F.C.. Oberdan Cattani, goleiro da S.E. Palmeiras jogou de 1941 a 1956, encerrou a carreira no Clube Atlético Juventus da Mooca, devido às grandes mãos, diziam que ele utilizava apenas uma das mãos para segurar os cruzamentos. Raul Plassman, no Esporte Clube Cruzeiro, foi o primeiro atleta a não vestir camisas pretas, utilizou uma camisa amarela de mangas longas com o número 1 estampado com esparadrapo, o goleiro tinha até um fã-clube feminino.

            Ricardo Zamora, o quase perfeito, goleiro espanhol nas copas de 1930 e 1934, virou lenda devido a sua elegância e perfeição. Eurico Lara, maior ídolo do Grêmio de Porto Alegre nos anos de 30, é até hoje celebrado, sua coragem e destemor o levou a morte após defender um pênalti, era conhecido pelo apelido de índio de Uruguaiana. Marcos Mendonça, do Fluminense Futebol Clube, foi o primeiro goleiro a vestir a camisa da seleção brasileira, em amistoso no estádio das Laranjeiras em 21 de julho de 1914 contra a equipe inglesa do Exeter City, seu apelido era fitinha roxa, pois, amarrava um fita em seu calção como um amuleto.

            Pelé foi goleiro, em partida realizada no Pacaembu em 1964, no jogo entre Santos e Grêmio, o goleiro Laércio foi expulso e Pelé foi atuar no gol e ainda o seu time venceu a partida pela taça Brasil. Jaguaré, campeão carioca em 1929 pelo Vasco da Gama, humilhava os seus adversário, pois, após cada defesa gritava com os atacantes pedindo para que os mesmos chutassem melhor. Jaguaré jogou pelo Barcelona da Espanha e Olympique de Marselha da França, conheceu a fama e a riqueza, mas o vício das bebidas o levou ao abandono, ao internato no Hospital do Juquery e até a morte. Moacir Barbosa, goleiro da seleção de 1950, iniciou sua carreira no Clube Atlético Ipiranga em São Paulo, jogou no Vasco da Gama e ficou lembrado pelo gol que levou na final contra o Uruguai, o dia 16 de julho de 1950 no Maracanã nunca foi esquecido pelo atleta.

            Antônio Carbajal, goleiro mexicano, é o recordista de disputas de copa do mundo, atuou em 1950, 1954, 1958, 1962 e 1966. Emerson Leão, atualmente técnico, disputou as copas de 1970, 1974, 1978 e 1986 e Cláudio Taffarel que disputou as copas de 1990, 1994 e 1998 são os dois goleiros que mais atuaram pela seleção brasileira.

            Em 21 de novembro de 1964, o goleiro do Botafogo de Ribeirão Preto, Galdino Machado sempre será lembrado, pois, a equipe santista aplicou 11 à zero, o goleiro sofreu 8 gols de Pelé, mas, Pelé reconheceu que Galdino foi o melhor em campo.

Pois bem, dentro do futebol há um outro esporte sendo praticado há muito tempo, defender uma baliza que mede 7,32 metros de largura e 2,44 metros de altura não é tarefa fácil, o goleiro tem de ter e adquirir calma, coragem, liderança, personalidade, boa função tática e técnica para impor respeito e admiração de dirigentes, técnicos, torcidas e imprensa.

Segue abaixo duas tabelas, a primeira mostra os principais goleiros em atuação no campeonato nacional de 2008 e a segunda exibe todos os goleiros que trabalharam na seleção brasileira em copas do mundo.

 

 

 

 

 

Tabela 1: Principais goleiros do campeonato brasileiro de 2008

Goleiro

Clube

Nascimento

Peso

Altura

Tadeu Jesus Nogueira JUNINHO

Atlético/MG

09/07/81

85kg

1,86m

Julian Ramiro VIÀFRA

Vitória/BA

19/05/78

93kg

1,85m

Rodrigo José GALATTO

Atlético/PR

10/04/83

80kg

1,92m

Juan Guillermo CASTILLO

Botafogo/RJ

17/04/78

77kg

1,81m

Luiz FELIPE dos Santos

Corinthians/SP

22/02/84

85kg

1,91m

FÁBIO Lopes Maciel

Cruzeiro/MG

30/09/80

94kg

1,89m

BRUNO Dores de Souza

Flamengo/RJ

23/12/84

80kg

1,90m

FERNANDO HENRIQUE Anjos

Fluminense/RJ

25/11/83

82kg

1,89m

VITOR Leandro Bagy

Grêmio/RS

21/01/83

84kg

1,93m

CLEMER Melo da Silva

Internacional/RS

20/10/68

89kg

1,90m

MARCOS Silveira Reis

Palmeiras/SP

04/08/73

86kg

1,93m

FÁBIO Costa

Santos/SP

21/11/77

84kg

1,87m

ROGÈRIO CENI

São Paulo/SP

22/01/73

85kg

1,88m

TIAGO Campagnaro

Vasco/RJ

02/07/83

75kg

1,85m

WILSON de Moura Júnior

Figueirense/SC

31/01/84

78kg

1,85m

HARLEI da Silva

Goiás/GO

30/03/72

82kg

1,81m

MICHEL Aluízio ALVES Cruz

Juventude/RS

25/03/81

87kg

1,88m

Alessandro Beti MAGRÃO

Sport/PE

09/04/77

79kg

1,87m

Mário Lúcio Costa ARANHA

Ponte Preta/SP

17/11/80

89kg

1,91m

EDSON BASTOS Barreto

Coritiba/PR

03/11/79

76kg

1,87m

ANDRÉ LUIZ dos Reis

Portuguesa/SP

06/05/77

77kg

1,81m

EDUARDO Scherpell

Náutico/PE

02/07/77

87kg

1,93m

Fonte: Revista Placar, 2008

           

Tabela 2: Goleiros que serviram a seleção brasileira

GOLEIROS

COPA

Joel (América RJ) e Velloso (Fluminense RJ)

Uruguai – 1930

Pedrosa (Botafogo RJ), Germano (Botafogo RJ)

Itália – 1934

Batatais (Fluminense RJ e Valter (Flamengo RJ)

França - 1938

Barbosa (Vasco RJ) e Castilho (Fluminense RJ)

Brasil – 1950

Castilho (Fluminense), Veludo (Fluminense)

Suíça – 1954

Gilmar (Corinthians) e Castilho (Fluminense)

Suécia – 1958

Gilmar (Santos) e Castilho (Fluminense)

Chile – 1962

Gilmar (Santos e Manga (Botafogo)

Inglaterra – 1966

Felix (Flu), Ado (Corinthians) e Leão (Palmeiras)

México – 1970

Leão (Palmeiras), Renato (Flamengo) e Valdir Peres (São Paulo)

Alemanha – 1974

Leão (Palmeiras), Valdir Peres (São Paulo) e Carlos (Ponte Preta)

Argentina – 1978

Valdir Peres (S.Paulo), Carlos (P. Preta) e Paulo Sérgio (Botafogo)

Espanha – 1982

Carlos (Corinthians), Paulo Victor (Flu) e Leão (Palmeiras)

México – 1986

Taffarel (Inter), Zé Carlos (Flamengo) e Acácio (Vasco)

Itália – 1990

Taffarel (Parma), Zetti (São Paulo) e Gilmar (Flamengo)

Estados Unidos – 1994

Taffarel (Atlético MG), Dida (Cruzeiro) e Carlos Germano (Vasco)

França – 1998

Marcos (Palmeiras), Dida (Corinthians) e Rogério Ceni (S.Paulo)

Japão/Coréia – 2002

Dida (Milan), Rogério Ceni (S.Paulo) e Júlio Cesar (Internazionale)

Alemanha – 2006

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África do Sul - 2010

Bibliografia Consultada

ABELHA, João Batista Lopes. Treinamento de Goleiro. São Paulo, Ícone, 1999.

ROCHA, Antônio Carlos Teixeira. Os goleiros do Fluminense. Juiz de Fora, MG, Editora Associada, 2005.

 

 

 

 

 

 

 
 
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