Os quatro funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) eram feito reféns desde a noite de ontem. Os índios protestam contra a possível transferência da Administração Executiva da Funai de Bauru (SP), responsável pela região, para o litoral paulista. Os índios também reivindicam a nomeação de outro indígena, o terena Dionísio Vargas, para assumir a diretoria do escritório da Funai em Bauru.
Entre os reféns estão o chefe administrativo do escritório, Arnor Gomes de Oliveira; o diretor de meio ambiente Mário de Camilo; e Edemilson Sebastião, chefe de posto indígena da reserva de Araribá. O chefe administrativo da delegacia da Funai em Bauru, Arnor Gomes de Oliveira, manteve contato telefônico nesta manhã com funcionários da fundação em Bauru e disse que está bem de saúde e que negocia pessoalmente a situação com os índios rebelados.
Segundo funcionários da Funai, Oliveira está em contato com a superintendência da Funai em Brasília para tentar contornar a situação e garantir a nomeação de Vargas.
A situação na região começou a ficar tensa em julho de 2007, quando os índios demonstraram insatisfação com o trabalho da Funai e mandaram diversos recados para a direção do órgão em Brasília.
Posteriormente os índios invadiram o escritório e ameaçaram amarrar os representantes da fundação. A tensão levou o diretor executivo do escritório, Nilton Machado Bueno, a deixar o cargo. Um outro substituto durou três meses e desde novembro, o escritório está acéfalo.
A situação se agravou quando os índios, há três meses, receberam a informação de que a administração também seria transferida para o litoral e, em protesto, decidiram paralisar ontem a rodovia comandante João Ribeiro de Barros.
Os índios exigiram a presença de representantes da Funai na manifestação. Uma funcionária disse que Oliveira era a única pessoa da administração presente no escritório e por isso foi até a rodovia intermediar a situação, mas acabou rendido pelos índios. Segundo essa mesma fonte, Oliveira é o único que corre risco de ter a integridade física ameaçada, porque os outros colegas da Funai são índios.