O dia em que o reitor foi trabalhar na Disneylândia

Entre os dias 17 e 22 de outuro de 2006 o reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, esteve em Orlando, nos Estados Unidos, onde ficou hospedado no Hotel Lake Buena Vista, que faz parte do complexo Disney, maior centro de diversões do mundo. A conta foi paga com o cartão corporativo. O reitor alega que estava na terra do Mickey e do Pato Donald para participar de um certo XIX Encontro Anual da Sociedade Norte-Americana  de Gastroenterologia Pediátrica.
 
     A existência do tal encontro e a viagem à Disney de Fagundes Neto vieram à tona somente agora, um ano e meio depois, já que seu nome consta de várias denúncias sobre o mau uso do cartão corporativo por ele, incluindo-se aí também uma viagem à Alemanha, em junho daquele mesmo ano, onde teria participado de um congresso, também sobre gastroenterologia pediátrica. Nas denúncias constam outras despesas pessoais pagas com o cartão corporativo.
 
    Na terça-feira (15), após reunião com o secretário-executivo da Controladoria Geral da União (CGU), Luiz Navarro, em Brasília, o reitor prrencheu uma Guia de Recolhimento à União  no valor de R$ 37.676,52, paga em seguida no Banco do Brasil. No total, o reitor já devolveu R$ 85,5 mil aos cofres públicos.
 
    A devolução do dinheiro e a explicação sobre o seu profundo interesse pela especialidade que o levou à Disney e à Alemanha não foram suficientes para acalmar os ânimos de alunos e professores da Unifesp. Na quarta-feira (16), os estudantes da universidade iniciaram uma série de protestos contra o mau uso do cartão. O Diretório Central dos Estudantes exige explicações do reitor sobre os gastos de caráter pessoal com o dinheiro da escola e, no mesmo dia, a associação dos docentes  fes uma reunião para avaliar a conjuntura dos fatos.
 
    A entrada do reitor da Unifesp na extensa relação de autoridades governamentais, incluindo o atual e o ex-presidente da República, demonstra que vinha sendo feita uma verdadeira 'farra do boi'  com esse cartão de crédito criado para pagar despesas de trabalho, mas que andava sendo utilizado também para pagar contas que nada tinham a ver com governabilidade. Uma ministra já foi afastada por causa disso e uma CPI mista e outra só de senadores estão instaladas no Congresso visando investigar o uso do cartão.
 
    Nada impede que um reitor vá à Disneylândia, já que precisaria estar lá à trabalho, mas as despesas pessoais.têm que ser pagas com dinheiro do próprio bolso, como as pessoas honestas ccostumam fazer. Ou será que se sentem bem fazendo o povo de Pateta? 
Moacyr Custodio

 
 
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