UM SALTO DA NATUREZA...
Dizem que a natureza em seu curso não erra e nem dá salto. E quem é a Natureza? É o Universo? É a vontade Divina? Enfim, é Deus? Deus não erra tudo que ele fez foi bem feito, não precisa o homem remodelar, canta assim os poetas. Mais diante da onisciência divina, existem coisas, que Deus não faz, porque não lhe deu sua alçada, sendo da competência humana, porque é o homem que tem que fazer a sua parte. Explicou-me: a cidade em que resido, distam 35 quilômetros do Rio São Francisco, a Natureza lá colocou o rio com seu manancial caudaloso, para serventia do homem, mas cabe a inteligência humana, canalizá-lo para as regiões e conseqüentemente, para as casas, propiciando assim, melhor conforto e comodidade as famílias, e assim por diante... Ora, o garoto Jucivânio Bezerra da Silva, de dez anos de idade, filho de Rosilda Vieira de Souza, mãe solteira, e de mais dez filhos sendo o maior de 17 anos, residente na Rua Sete de Setembro, s/n, em uma modesta casa alugada na cidade de Olho d’Água das Flores, e na mesma casa uma idosa, de 74 anos de idade e um jovem de 25 anos de idade, alcoólatra. Imagine meus leitores, como se não bastasse tantos dissabores no mesmo canto, nasceu o pequeno Jucivânio com uma deficiência muito grande, pois a mãe Natureza, tirou-lhe os membros inferiores e praticamente os superiores e ainda não lhe deu um fio de cabelo sequer e nenhum dente. Ah! Meus leitores, não teria sido um salto da natureza? Vivendo nesta situação de penúria, tristeza e promiscuidade, fui encontrar essa família num recanto da cidade acima citada, do médio sertão das Alagoas, cujo quadro me compungiu, ao ver e sentir tanta pobreza junta. Era uma tarde de sol de fim de inverno, crianças brincavam alegremente em frente à casa de Jucivânio, e vi duas lágrimas quentes e infantis, caírem de seus olhos miúdos olhando seus irmãos e colegas de sua faixa etária, correrem atrás de uma bola no leito da rua. Lembrei-me do grande escritor paraibano, José Américo de Almeida, que disse: "não tem coisa mais triste que o olhar de uma criança triste”. Diante desses fatos, nos tornamos pequenos. Sentenciava o filósofo Sócrates que: “diante das grandes dores, nos tornamos loquazes”. Não temos palavras, mas dizem que Deus escreve certo nas linhas tortas, e o diabo errado, nas linhas certas. Mas, nós humanos, não podemos ficar parados olhando meramente, o rio levar toda água boa para o mar, tornando-a salgada, para isto, Deus nos coloca em desafios e nós chegamos até a ousarmos de nossa própria inteligência. Não fosse a ousadia do cientista Tomaz Alva Édson, não teríamos a luz elétrica, e dizem seus biógrafos, que ele errou noventa e nove vezes, e na centésima, acertou, não fosse a coragem indômita do eminente brasileiro Albert Santos Dumont, que fracassou 14 vezes, não teríamos o avião, não fosse o amor de Jesus Cristo por nós, o maior filósofo da humanidade, não teríamos conquistado o céu, e assim, meus leitores, o mundo está permeado de sublimes exemplos de homens e mulheres, que nos legaram exemplos de heroísmo e amor a humanidade, que tem assombrado o mundo com seus fatos, feitos e invenções, e assim caminha a humanidade. Senti-me pequeno diante do quadro que pinto com a tinta extraída do coração, e pensei: o que fazer, para melhorar a situação dessa criança, no verdor da vida, o que mais lhe espera Ó meu Deus? Mas é ele mesmo que nos coloca este desafio: vá e faça você a sua parte. e agora? Talvez se este artigo chegasse mais longe, que sabe, a um programa de televisão, onde essa criança fosse mostrada, sua figura bisonha, sensibilizasse um empresário, ou mesmo um político humano e se conseguiria uma cadeira motorizada para Jucivânio se locomover, não para esmolar, mas para o ajudar na vida que já lhe é tão amarga. A foto que ilustra a matéria diz tudo, ele é uma pessoa sadia, fala, rir e já risca as primeiras letras do alfabeto, apenas, faltam-lhes os membros tanto superiores quanto os inferiores, talvez por um salto da Natureza não possuo conhecimentos científicos, para lhe avaliar o que teria ocorrido na sua concepção genética, que tanto o deformou, diz sua mãe, Dona Rosilda que, atribuiu a doença rubéola, dizem que as mães acertam sempre as doenças de seus filhos, aceitei sua opinião. Foto: Jorge fotografias - tel. (82) 3623-1551
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 | *Antonio Machado é historiador e escritor, Membro da ACALA - (Academia Arapiraquense de Letras e Artes) - e da AAI - (Associação Alagoana de Imprensa 
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