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"Professores" buscam novos pupilos na internet

SÃO PAULO - Em treinamentos, jogos em entrevistas coletivas, como forma de respeito e admiração, os técnicos de futebol são chamados pelos seus atletas de "professores". Agora, os "mestres" mudam de "sala de aula". Com a evolução da internet, comandantes apresentam seus currículos na rede mundial em busca de novos "alunos”.

A criação de sites pessoais por jogadores já não é novidade. Grandes nomes do esporte, muitas vezes influenciados por seus patrocinadores, mantêm seus endereços eletrônicos como forma de interação com os fãs e fortalecimento de sua própria marca.

Com o tempo, os técnicos, cada vez mais cercados de assessorias e patrocinadores, viram na internet uma forma de divulgação do trabalho. Treinadores, então, passaram a buscar a nova mídia e criaram páginas eletrônicas com fotos, títulos, notícias, foros de discussão, etc.

As maneiras de alcançar o público alvo variam. Muitos tentam mostrar sua intelectualidade, como Paulo Comelli, que aparece em fotos vestido de terno, ao lado de notebooks, sempre com uma diagramação moderna. Além da sensação de europeização que é apreendida nesse contexto estão fotos do treinador ao lado do massagista, do preparador físico e do assessor de imprensa, todos vestindo com uma marca de roupas que patrocina o endereço eletrônico.

Em outros casos, a utilização de empresas especializadas para confecção da página resulta em idéias inovadoras, mas não menos curiosas. O endereço de Zé Mário (ex-Botafogo e Goiás e com muitas passagens pelo Oriente Médio), por exemplo, tem uma charge especial do treinador, chamada "Zé Marinho", que, em uma animação, explica como funciona o esquema 4-4-2.

"O Zé Marinho foi uma idéia do Jairo, da Internetix [empresa que confecciona o site]. Ele me propôs fazer essa charge com aulas de futebol e eu aceitei", disse o treinador, que ainda explicou a função dessa parte da página eletrônica. "O objetivo das aulas táticas é mostrar para quem está interessado em ser profissional de futebol e para o torcedor como identificar um sistema de jogo. É uma pena que não tenho tido muito tempo para mudar as aulas", completou em entrevista ao Pelé.Net, concedida pelo do e-mail de contato no site.

A parte mais crítica das páginas, porém, é a versão em inglês. Isso porque os "professores" nem sempre fazem a tradução da maneira correta, e acabam escorregando em outras línguas. As gafes mais comuns estão nos currículos dos treinadores.

Para aumentar a lista, muitos colocam não apenas títulos, mas boas colocações em determinados campeonatos. Em inglês, porém, os "vice-campeões" Paulo Comelli e Antônio Lopes viram, em seus sites pessoais, "vice-champion" - o correto seria "second place".

Os erros menos comuns, por incrível que pareça, são os de informação. Como o currículo e a lista de títulos são a parte mais importante do site, o natural seria uma boa apuração acerca de nomes e datas de competições. No site de Vanderlei Luxemburgo, porém, consta que a Copa América conquistada por ele como técnico da seleção brasileira aconteceu em 1998, em vez do correto 1999.

O que difere o técnico do jogador na internet?
As principais inspirações para os treinadores que criaram sites pessoais foram os jogadores, que tomaram a iniciativa primeiro. O público alvo, em tese, seria o mesmo: os fãs de futebol. Mas para Eduardo Generoso, responsável pela produção dos endereços eletrônicos criados pela Entertainment Sports Manager (ESM - empresa especializada em marketing esportivo), são duas coisas diferentes.

"O site do jogador é mais direcionado para o fã. No caso do treinador, também tem um pouco desse lado. Mas isso acontece em menor escala, por isso ele tem de ser mais focado nos profissionais de imprensa e em quem quer discutir mais futebol", disse Generoso.

Qual seria, então, o conteúdo ideal para um bom site pessoal de treinador? O especialista no assunto apontou dois caminhos fundamentais a serem seguidos pelos "professores" que se arriscam nesse tipo de empreitada.

"Tem de focar um pouco mais na questão de análise do futebol. O público quer que o treinador fale sobre o jogo e sobre táticas, portanto tem de ter fóruns de discussão. E todo site é uma apresentação do produto. No caso do técnico, é um grande canal de comunicação, principalmente caso ele tenha muita presença na mídia", completou.

Poucos endereços eletrônicos, porém, se enquadram em todos esses quesitos. Alguns primam pelas atualizações constantes. O de Paulo Comelli, técnico do São Caetano, por exemplo, tem nas notícias o seu principal atrativo.

Em alguns casos, a desatualização é tão grande que passa a impressão de que página foi esquecida. Na página de Celso Roth, até o dia 3 de julho, a notícia mais recente era uma relacionada ao "milésimo" gol de Romário, de 22 de maio, que na verdade era um link para uma nota do site oficial do Vasco.

Quanto às discussões sobre o futebol, poucos parecem enxergar essa possibilidade. Apenas dois sites, o de Luxemburgo e o de Zé Mário, apresentam sessões desse tipo. O primeiro com análises próprias, e o último com textos de diversos especialistas no assunto, como Carlos Alberto Parreira.

A interação com o internauta também não é sempre satisfatória. A reportagem tentou entrar em contato via e-mail com Oswaldo de Oliveira, Celso Roth, Zé Mário, Geninho, Paulo Comelli e Antônio Lopes. Desses, apenas Zé Mário demorou menos de um dia para responder. Geninho e Paulo Comelli, por meio das respectivas assessorias, o fizeram em dois dias. Os demais não retornaram.

Gustavo Franceschini, Especial para o Pelé.Net
 

 
 
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